Até o dia de hoje, o que havia conhecido dos textos de Paulo Coelho não havia gostado, sobretudo, os livros - que não li mais de três páginas de um ou dois com os quais me deparei, ou me foi indicado ler. Hoje, no entanto, passei pela sua coluna no G1 e li duas de suas "mensagens do dia" que gostei, e, por isso, irei repassá-las.
Não tenho preconceito com Paulo Coelho. Em geral, não tenho preconceito com escritores. Tenho paciência e consideração pelo que é-me apresentado por escrito. Mesmo escritores que me trouxeram uma experiência descontente, se me oferecida outra oportunidade futura de novo contato com ele, novamente terei as mesmas paciência e consideração ao seu texto. Por esse comportamento descomplicado, torna-se difícil haver preconceito firmado em mim em relação a escritores (ou mesmo obras). Estou sempre pronta para ler o que as oportunidades me reservam.
Diria que um escritor e uma obra são capazes de me afastar permanentemente deles por uma única e simples razão: a militância a favor de tudo que é contra o ser humano: se a violência, a imoralidade ou os demais horrores e adversários humanos. A menor complexidade de acabamento, ou mesmo de ideias, em um texto, não me afastam dele. Ideias de médio porte e com objetivos bons também me afeiçoam. Considero esses dois textos do Paulo Coelho para o G1 deste modo definido: ideias de médio porte com objetivos bons, portanto, bons textos.
Logo, no mais, que sejam bem-vindos os textos, os escritores, e hoje, Paulo Coelho e suas mensagens!
Da indiferença
“Um momento não é um dia”, diz Ângela Chimello,
lembrando a história de uma mulher que – ao acordar, reparou que estava
frio, e colocou um cobertor sobre o marido ainda adormecido.
Mais tarde o sol esquentou o dia, e o homem despertou suando em
bicas. Irritado, chamou a mulher para perguntar quem tinha feito a
tolice de cobri-lo num dia tão quente.
Por causa de um pequeno detalhe – geralmente fruto de cuidado ou
carinho, terminamos por nos transformar em juízes implacáveis de nosso
próximo.
Agimos como se, vendo apenas parte de um filme, pudéssemos saber toda a sua história.
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Da alegria
Um momento de alegria aparece. Está ali, esperando para ser vivido.
Mas não fazemos nada. O momento de alegria acha que talvez não o
tenhamos percebido. Então passeia diante de nossos olhos, e aguarda
nosso sorriso de compreensão.
De novo, ficamos imóveis.
“O que se passa?”, pergunta o momento de alegria.
“Não sei”, respondemos. “Talvez o medo de que você não volte”.
“E, mesmo que isto aconteça, o que você tem a perder?” Insiste.
“A paz de espírito”, continuamos.
Com a cabeça baixa, o momento de alegria se afasta. E continuamos
com a nossa paz de espírito – aquela paz das tardes de domingo, que
ninguém sabe exatamente para que serve, nem o que fazer com ela.
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Fonte: http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/