Composição: Milton Nascimento
Performance: Milton Nascimento e Elis Regina
O que foi feito, amigo,
de tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida?
O que foi feito do amor?
Quisera encontrar
aquele verso menino,
que escrevi há tantos anos atrás.
Falo assim sem saudade,
falo assim por saber:
se muito vale o já feito,
mais vale o que será.
E o que foi feito é preciso
conhecer para melhor prosseguir.
Falo assim sem tristeza,
falo por acreditar:
que é cobrando o que fomos,
que nós iremos crescer.
Nós iremos crescer.
Outros outubros virão,
outras manhãs, plenas de sol e de luz.
Alertem todos alarmas,
que o homem que eu era voltou.
A tribo toda reunida,
ração dividida ao sol
de nossa vera cruz;
quando o descanso era luta pelo pão
e a ventura sem par.
Quando o cansaço era rio,
e rio qualquer dava pé,
e a cabeça rodava num gira-girar de amor.
E até mesmo a fé
não era cega nem nada,
era só nuvem no céu e raiz.
Hoje essa vida só cabe
na palma da minha paixão.
Devera nunca se acabe,
abelha fazendo o seu mel
no canto que criei,
nem vá dormir como pedra e esquecer
o que foi feito de nós.
Fonte (com alterações):http://letras.mus.br/milton-nascimento/47439/