No último sábado, assisti à peça Ligações Perigosas, no Teatro Amil, situado no shopping Parque D. Pedro, em Campinas. O espaço, que anteriormente abrigava o Teatro Tim, foi reinaugurado agora, no dia 18 de março, com este magistral espetáculo adaptado do famoso romance homônimo de Choderlos de Laclos.
A peça foi muito bem montada, tendo-se em observação todos os principais aspectos teatrais: direção, adaptação de roteiro, atuação, cenário, figurino, iluminação e trilha sonora. Assim sendo, o enredo (tanto do livro, como da adaptação para peça), que faz um retrato dos piores jogos de sedução maliciosos que alguns dos membros da aristocracia decadente francesa do século XVIII praticavam em busca de vaidades cortesãs ou individuais, ou, numa leitura menos contextualizada historicamente, que faz um retrato preciso dos limites a que chega a crueldade humana, é bem representado pela seleção de diálogos irônicos e espirituosos trocados, sobretudo, pelos sádicos visconde de Valmont (Marat Descartes) e marquesa de Merteuil (Maria Fernanda Cândido).
Semelhante ao ponto forte do romance, o diretor, bem como os demais responsáveis pela adaptação das falas da peça, deixaram que a comicidade e as precisões matemáticas advindas das intrigas, de certa forma, atenuassem o rancor do público para com os maliciosos personagens. O que chega ao ponto de até mesmo os horrores que poderiam ser considerados absurdos como, por exemplo, a perda da virgindade forçada, que acontece com a jovem Cécile (vivida por Laura Neiva, no seu primeiro papel) e a também forçada submissão de uma moça íntegra e pura (madame de Tourvel; por Sabrina Greve) aos perniciosos truques de Valmont, fossem deixados para uma segunda ou terceira discussão. Portanto, focar a crueldade humana, e muito, o prazer pelo sofrimento alheio, numa espécie de sadismo, e ainda focar o despropósito moral dos personagens foi, se não o objetivo dos diretores Mauro Baptista Vedia e Ricardo Rizzo, um dos percursos bem-sucedidos da atração teatral.
Como o que se deve avaliar numa peça que vem a ser a encenação de uma grande obra, como é Les Liaisons Dangereuses (1792), também é a sua capacidade criativa de dar novas aparências ao enredo, na sua execução e compreensão, afirmo que uma das novidades que mais me agradou nessa adaptação teatral, em meio ainda a tantas excelentes versões cinematográficas, foi a escolha da trilha sonora (parabéns Tunica!). Talvez pode soar como um detalhe, mas é que as canções muito bem selecionadas de Led Zeppelin e Emerson, Lake and Palmer, fizeram da peça, claro, em conjunto com a excelência dos demais aspectos teatrais, um sucesso.
E eu gostei tanto das músicas, especialmente de uma, que ainda não conhecia e que nem mesmo desconfiei que fosse de Emerson, Lake and Palmer, a C’est la vie, que fui vencida pela vontade de ouvi-la novamente. Repito: como não sabia nem o nome da música, nem quem a cantava, depois de muitas frustradas pesquisas pela internet, resolvi enviar um e-mail para o Mauro Baptista, diretor do espetáculo, e ele, muito gentilmente, me concedeu essa informação. Então, fica o meu agradecimento especial a Mauro, pela gentileza.
Talvez vocês também gostem da canção C’est la vie, do Emerson, Lake and Palmer. Coloquei-a abaixo, acompanhada pela letra. Antes, disponibilizo a ficha técnica completa do espetáculo.
Ficha técnica:
Autor: Christopher Hampton
Direção: Mauro Baptista Vedia
Produção: Filmland Internacional
Produtor: LG Tubaldini Jr
Direção de Produção: Marcella Guttmann
Tradução/adaptação: Clara Carvalho e Rachel Ripani
Elenco: Maria Fernanda Cândido, Camila Czerkes, Chris Couto, Clara Carvalho, Ivan Capua, Julio Cesar Machado, Laura Neiva, Marat Descartes, Ricardo Monastero, Sabrina Greve.
Direção: Mauro Baptista Vedia
Produção: Filmland Internacional
Produtor: LG Tubaldini Jr
Direção de Produção: Marcella Guttmann
Tradução/adaptação: Clara Carvalho e Rachel Ripani
Elenco: Maria Fernanda Cândido, Camila Czerkes, Chris Couto, Clara Carvalho, Ivan Capua, Julio Cesar Machado, Laura Neiva, Marat Descartes, Ricardo Monastero, Sabrina Greve.
Cenários: Guta Carvalho / Frank Dezeuxis
Figurinos: Maria Gonzaga
Iluminação: Maneco Quinderé
Trilha sonora: Tunica
Preparaçâo vocal: Madalena Bernardes
Preparação corporal: Ricardo Rizzo
Figurinos: Maria Gonzaga
Iluminação: Maneco Quinderé
Trilha sonora: Tunica
Preparaçâo vocal: Madalena Bernardes
Preparação corporal: Ricardo Rizzo
P.S.: Pessoal, achei um vídeo através do qual é possível ver algumas poucas e rápidas cenas da peça, bem como ver uma entrevista com as atrizes Laura Neiva e Maria Fernanda Cândido e o diretor Mauro Baptista Vedia. O vídeo é parte do programa Metrópolis, exibido pelo canal Cultura. Segue abaixo:



